sexta-feira, 9 de novembro de 2007

ONDE HÁ FUMAÇA HÁ FOGO!

foto: Edvaldo Pereira/AEF

BOMBEIROS PREPARAM COMBATENTES DA FLORESTA
Texto e fotos: Edvaldo Pereira

Quem viaja pela PA -150, sentido Belém-Marabá, passando por Mojú, Tailândia, Goianésia, Jacundá e Nova Ipixuna, fica impressionado com a poluição atmosférica produzida pelas queimadas provocadas para renovação de pastagens e preparação de mata, seja para virar carvão ou para dar espaço ao cultivo da lavoura. A fumaça é tão intensa que interfere na visibilidade do motorista, principalmente à noite, e dificulta a respiração de quem passa ou vive naquelas paragens.

É nesta região, de intensas queimadas, que às vezes extrapola o perímetro planejado, que o Corpo de Bombeiros do Pará, encerrou esta semana a quarta edição do Curso de Combate a Incêndios Florestais na Amazônia (CCIFA), que contou inclusive com a participação de bombeiros e militares de outros Estados da Federação. O curso, criado em 2000 com objetivo de apoiar na preservação do meio ambiente, em especial na região sul do Pará, possui carga horário de 350 horas/aulas e é composto por treze disciplinas básicas de técnicas e táticas de prevenção e combate a incêndios, perícia, legislação e educação ambiental, entre outras.

Desde a sua criação, o CCIFA já formou 160 especialistas em combate a incêndios florestais na Amazônia. A edição de 2007, realizada na Fazenda Tibiriçá, às margens do rio Itacaiúnas, diplomou 34 alunos, que durante 52 dias se entregaram a um extremo esforço físico e psicológico em plena selva, a fim de se preparar para ações reais de enfrentamento e resistência ao fogo.
Para o Major Hayman de Souza, coordenador do treinamento, a participação no CCIFA, além de contar pontos para uma possível promoção, representa uma conquista pessoal e profissional na carreira do bombeiro. “Ao especializar-se em combate a incêndios florestais, o bombeiro do Pará, reafirma a função primordial da corporação e resgata o conceito de proteção e preservação da Amazônia brasileira”.

foto: Edvaldo Pereira/AEF
Suporte aéreo
A grande sensação do encerramento do curso ficou por conta da participação do helicóptero do Grupamento de Aéreo de Busca e Salvamento (GABS), conhecido como Resgate 01, que realizou simulações de resgate de vítimas em situações de incêndio na floresta, e do avião agrícola Air Tractor – Modelo 802, usado em combate a incêndios florestais em países como Espanha, Portugal, Grécia, Estados Unidos e Chile e com capacidade de lançamento de 3.500 litros de água.

O avião, que pertence à empresa Globo Aviação Agrícola e que vem sendo utilizado pelo Intituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF-MG), atuou pela primeira vez na região amazônica através de uma parceria com o Corpo de Bombeiros do Pará. Atualmente só existem três aviões de combate a incêndios no Brasil, sendo um dos Bombeiros do Rio de Janeiro, outro pertencente a uma empresa privada, também naquele Estado e o Air Tractor 802, no momento alugado pelo governo de Minas.

O Tenente Coronel Mauro Tadeu, Comandante do GABS-PA, considera a aeronave uma ferramenta importante em situações de incêndios de grandes proporções, dando agilidade ao combate e ajudando na preservação da fauna e flora. “A Amazônia brasileira, pela dimensão e importância que tem, exige a busca dos melhores equipamentos e tecnologias disponíveis”.

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