terça-feira, 14 de julho de 2009

DEFESA E SOBERANIA NA AMAZÔNIA

Exército precisa gerenciar melhor seus recursos e se aproximar de universitários, diz general

O chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia (CMA), general-de-brigada Alberto Martins Bringel, afirmou hoje (14) que o Exército precisa administrar melhor os recursos federais destinados a suas ações na região e aproximar-se mais dos universitários brasileiros. Para Bringel, estes são os principais desafios para os militares que atuam nessa região. Ele lembrou que a defesa da soberania da Amazônia tem no Exército um apoio fundamental e que, por isso, é urgente equacionar essas questões.

De acordo com o general, os recursos que o Exército recebe para a Amazônia são escassos, como em qualquer parte do território nacional. "Há necessidade de mais recursos em todos os pontos de atuação do Exército, mas, como não temos perspectivas disso em curto prazo, para fazer com que o que temos hoje renda mais, temos que gerenciar e racionalizar melhor. Em resumo, os maiores desafios são fazer o dinheiro render e investir em tecnologia para que o Brasil não fique ultrapassado em relação a outros países.”

Bringel fez palestra sobre o tema O papel do Exército na Defesa da Soberania da Amazônia”, na Universidade Federal do Amazonas, como parte da programação da 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Ele destacou que um apoio cada vez mais maior ao Projeto Rondon é um dos meios de promover a integração entre Exército e universitários. "A Amazônia é patrimônio brasileiro e nesse sentido, o Exército e os universitários estão no mesmo barco. O meio acadêmico reúne uma gama de profissionais que, em poucos anos, exercerão significativas funções para a sociedade. O Exército pode compor com o meio acadêmico para contribuir ainda mais com a sociedade”, afirmou.

Segundo o general, na Amazônia, que tem extensão aproximada de 3,6 milhões de quilômetros quadrados, estão em atividade cerca de 26,3 mil militares. A região tem 22 mil quilômetros de extensão de rios e mais de 13 milhões de habitantes. Ele informou também que 28 organizações militares estão presentes na fronteira terrestre da Amazônia, cuja extensão total é de 11 mil quilômetros.

"Temos uma fronteira terrestre muito extensa, que, sem dúvida exige a presença do Exército. Para se ter uma ideia da grandiosidade da área, a faixa de fronteira entre Estados Unidos e México é de 2,4 mil quilômetros. Apesar disso, vamos a qualquer ponto da Amazônia, sem restrições. Não podemos ignorar que a Amazônia concentra uma área muito grande e uma população com necessidades quase infinitas, porém.”

Bringel também considerou prioritária a formação dos militares e disse que o Exército investe muito nisso. "Temos uma gama enorme de escolas e cursos dentro do próprio Exército. Precisamos garantir a manutenção e melhorar a qualidade desses cursos. Nosso papel é a defesa da paz. Quando ocorre um conflito armado, alguém errou e deixou a crise ou o problema ir longe demais. O melhor é sempre não ter conflitos."

Sobre os principais problemas na área de fronteira, Bringel destacou questões indígenas não resolvidas, a existência de populações desassistidas, a ocorrência de delitos transfronteiriços de narcotráfico e contrabando e a extração ilegal de madeira. “Em toda região longínqua e com pouca presença do Estado, o delito acontece com mais facilidade. Também está incluído em nossa lista de desafios o aumento da atuação contra crimes transfronteiriços em parceria com órgãos ambientais, por exemplo.”

O general defendeu ainda a conscientização da sociedade como meio de desencorajar os chamados ilícitos predatórios. "A maior responsabilidade, no entanto, cabe às instituições públicas dos Três Poderes, às quais compete incluir a Amazônia em um plano nacional de desenvolvimento e, a partir daí, agir de forma prática, consciente e produtiva.”

Um comentário:

Anônimo disse...

Pelo que diz a questão 17 da UFBA em www.vestibular.ufba.br/docs/vest2009/gabaritos/Caderno2.pdf, muito ao contrário. O exército devira era sair por ser área internacional.

National Geographic POD