terça-feira, 14 de julho de 2009

PÓS-GRADUAÇÃO NA AMAZÔNIA

O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, fala sobre o novo programa Bolsa para Todos.
Foto: Antônio Cruz/ABr

Novo programa vai repassar R$ 15 milhões em bolsas de mestrado e doutorado no Norte e Centro-Oeste


Todos os estudantes de mestrado e doutorado das regiões Norte e Centro-Oeste que não têm vínculo empregatício nem recebem auxílio financeiro passarão a receber bolsa de estudos a partir de agosto. A medida, detalhada hoje (14) durante a 61º Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), também valerá para novos alunos.

Batizado de Bolsa para Todos, o programa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), vai beneficiar estudantes de instituições públicas e privadas.

Segundo o presidente da Capes, Jorge Guimarães, este ano o programa deve distribuir pelo menos 2,5 mil bolsas de estudo, com investimento de R$ 15 milhões. A criação do Bolsa para Todos só foi possível após a garantia de devolução ao orçamento de recursos que haviam sido contingenciados, segundo Guimarães.

A escolha das regiões para implantação do programa tem o objetivo de aumentar o número de pós-graduados formados e fixados na Amazônia Legal. O baixo percentual de doutores – apenas 6% do total do país – ainda é um dos principais entraves ao desenvolvimento regional.

“A quantidade de doutores na região é muito pequena e isso tem consequências. Qualquer planejamento estratégico de desenvolvimento e maior presença da ciência e tecnologia têm que levar em conta que o primeiro instrumento são os recursos humanos, sobretudo com doutorado. Sem doutores não surgem projetos com velocidade necessária para o desafio amazônico”, disse Guimarães.

Os recursos não serão repassados diretamente para os estudantes, mas para as instituições que continuarão a selecionar os alunos para os cursos de mestrado e doutorado. “Isso deve estimular muito a matrícula para o próximo ano”, prevê.

Além do programa de bolsas de estudo, a Capes terá outros dois projetos: o financiamento para estudantes de graduação dessas duas regiões interessados em intercâmbios em outras universidades do país durante as férias e a contratação de professores e pesquisadores sêniores (já aposentados) para universidades recém-criadas em todo o país.

No programa de férias, os estudantes – selecionados em suas universidades de origem – receberão bolsa de R$ 350 e terão passagens custeadas pela Capes. A instituição que receber o aluno vai fornecer alimentação e facilidades de alojamento. “É uma oportunidade de aproveitar o período de férias para fazer uma mobilização pelo país e buscar formação que vai ser muito importante para seu curso de origem”, afirmou.

Para o professor sênior, a Capes vai pagar uma bolsa de R$ 7,1 mil a quem estiver disposto a voltar às salas de aula nas novas universidades. O objetivo é agregar experiência ao corpo docente dessas instituições. “Cada vez mais temos pessoas muito qualificadas que se aposentam e ficam disponíveis. Está cheio de professores de 60 anos na ativa e cheios de vontade de ir para essas instituições”, aposta o presidente da instituição.

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