quinta-feira, 2 de julho de 2009

HIDRELÉTRICAS EM DEBATE NO PARÁ

Religiosos e atingidos por barragens afirmam que são contrários às usinas do Complexo do Tapajós

Participantes do seminário Espiritualidade Ecológica, que aconteceu do dia 19 ao 21 deste mês, no Baixo Amazonas, elaboraram uma carta final do evento, na qual afirmam que os grandes projetos para a Amazônia são um desrespeito à população. Entre os projetos citados estão as hidrelétricas para o rio Tapajós, que segundo eles, afetarão a terra indígena Munduruku e o Parque Nacional da Amazônia.

A Eletrobrás prevê a construção de até sete usinas na bacia do Rio Tapajós, no Pará. A empresa já anunciou, mesmo sem um Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), que não haverá impactos ambientais nem sociais para a região. Os participantes do evento no Baixo Amazonas discordam e afirmam que o projeto somente beneficiará empresas nacionais e estrangeiras, além "de prejudicar a cultura e o meio ambiente".

Participaram do seminário religiosos, padres, socioambientalistas, educadores populares e homens e mulheres atingidos e ameaçados pelo Complexo do Tapajós. Os participantes alegam que o governo não leva em consideração a presença humana na região e trata as populações locais "como entrave ao desenvolvimento". Na carta, reclamam da falta de políticas públicas básicas voltadas a saúde, educação e transporte, direitos esses "que trariam a verdadeira qualidade de vida para a região".

Ao final da carta, os religiosos também repudiam a Medida Provisória (MP) 458, que foi transformada em lei pelo presidente Lula. "A MP 458 tem o sentido de regularizar o que juridicamente é crime e não irregularidade. Vemos a MP 458 como prêmio aos grileiros! Vão ganhar os grileiros, que ocuparam as terras públicas e agora as vão ver legalizadas por decreto presidencial".

Fonte: amazonia.org.br


Leia abaixo o relatório final do seminário:

DECLARAÇÃO FINAL DO SEMINÁRIO "ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICA".

Nós, participantes do seminário:" ESPIRITUALIDADE ECOLÓGICA, UM OLHAR SOBRE O BAIXO AMAZONAS", reunidos nos dias 19 a 21 de Junho de 2009, no Centro de Formação José Freinademetz, Santarenzinho, município de Santarém, refletindo sobre a questão ecológica da região amazónica, constatamos que mais uma vez a nossa população é tratada com desrespeito pelas autoridades do nosso país.

Os projetos planejados para a nossa região, além de serem apenas respostas à ganância das empresas transnacionais, não levam em conta a população local e desrespeitam as áreas de preservação ambiental.

Um exemplo desse desrespeito é o projeto hidrelétrico planejado para o rio Tapajós, que atingirá grande parte do Parque Nacional da Amazônia, além das terras indígenas do povo Munduruku. Entendemos que esta proposta do governo destruirá o rio Tapajós e manifestamos nossa preocupação e indignação pelos danos irreparáveis que esse projeto, se concretizado, causará à vida das populações residentes nas comunidades localizadas ao longo do agonizante Tapajós, além da fauna e flora que serão dizimadas.

Sabemos que o governo brasileiro não leva em conta a presença humana nesta região e trata as populações locais "como entrave ao desenvolvimento". Enquanto isso sofremos com a falta de políticas públicas básicas como saúde, educação, transporte… que trariam a verdadeira qualidade de vida para a região.

Diante do desrespeito das autoridades para com nossos povos, nós, religiosos, religiosas, padres, leigos e leigas da Diocese de Santarém, sócio-ambientalistas, educadores populares, jovens, homens e mulheres atingidos e ameaçados pelo Complexo do Tapajós, e por outras obras, declaramos que somos contrários ao Complexo Hidrelétrico do Tapajós que, além de prejudicar nossa cultura e meio ambiente, não nos trará benefícios, beneficiando apenas o grande capital e empresas nacionais e estrangeiras.

Declaramos ainda que a actual ordem económica, que promove a cobiça, o desperdício, a acumulação, agrava as injustiças sociais e ambientais. O esbanjador estilo de vida de uma minoria destrói o planeta e a vida da grande maioria. Por isso, não haverá soluções ecológicas sem rever seriamente o estilo de vida no sentido da simplicidade, moderação e disciplina, em fraternidade com os povos e a Criação.

Continuamos explorando os recursos da Mãe Terra, sem permitir que ela se recomponha, para satisfazer nossa ganância. È necessário desenvolvermos uma espiritualidade que integre toda a criação como digna de respeito e admiração. È urgente e vital que as pessoas e a natureza estejam acima do lucro e da tecnologia. A nossa generosidade é a medida da nossa humanidade. O mundo tem que mudar a partir da nossa capacidade de partilha e não a partir de nossa capacidade de destruição e acumulação.

Nós, religiosos e religiosas, leigos e leigas sentimos que a salvação das pessoas e da natureza é parte integrante da sua missão de cristãos com base numa espiritualidade centrada na Criação e no bem das pessoas e dos povos, numa espiritualidade integradora da criação. Cremos que somos chamados a passar de uma fé cristã apenas interior e subjetiva para uma fé engajada não só social, mas também ecologicamente.

O caminho do encontro com Deus inclui toda a criação: o mundo mineral, o mundo vivo e o mundo dos humanos. O mundo todo é graça, é sinal da gratuidade, da fidelidade e da ternura de Deus. Todas as coisas, amáveis e gostosas por si mesmas, são caminhos para a contemplação de Deus. São um dom de Deus que tem como horizonte último não a finalidade económica, mas a gratuidade do doador. Atrás da gratuidade das coisas existe a gratuidade de quem oferece. Essa é a dimensão da fé. É também o caminho da espiritualidade: saber descobrir a substância espiritual de toda a criação.

Finalmente, repudiamos a medida provisória MP 458 que legaliza as terras griladas na Amazônia. Partimos do princípio que essas terras são públicas, foram ocupadas ilegalmente pelos grileiros e agora o governo busca a alternativa de premiar o crime. Sendo assim, a MP 458 tem o sentido de regularizar o que juridicamente é crime e não irregularidade. Vemos a MP 458 como prémio aos grileiros! Vão ganhar os grileiros, que ocuparam as terras públicas e agora as vão ver legalizadas por decreto presidencial.

Santarém, 21 de Junho de 2009

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