segunda-feira, 10 de agosto de 2009

OPERAÇÃO BOI PIRATA II

foto: Ibama

PREFEITA DE NOVO PROGRESSO, NO PARÁ, SOBREVOA ÁREAS DESMATADAS

Líder em desmatamento no Brasil, Novo Progresso, no sudoeste do Pará, nordeste da Amazônia Legal brasileira, está recebendo a Operação Boi Pirata II. A operação visa coibir a atividade pecuária em áreas protegidas da região amazônica, tendo em vista os bons resultados da Operação Boi Pirata, de 2008, que apreendeu e leiloou gado criado em Terra do Meio, região de São Felix do Xingu/PA. A primeira operação foi determinante para as atuais reduções do desmatamento; apenas em Novo Progresso o desmatamento cresceu. Segundo dados recentes divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais – Inpe, em 2009, o estado do Pará já desmatou 300 km² de florestas nativas.

Convidada pala coordenação da Operação Boi Pirata II, a prefeita Madalena Hoffmann, de Novo Progresso, sobrevoou as áreas recentemente desmatadas e abertas para a criação de gado na região norte da Floresta Nacional do Jamanxim, no município. Ela teve a oportunidade de conferir de perto a área alvo da operação e o motivo pelo qual o Ibama está empenhando tantos esforços nesta ação.

O coordenador da operação, Leslie Tavares, explicou à prefeita que os desmatadores delimitam a área a ser usada, fazem a derrubada, retiram a madeira, ateiam fogo e plantam pasto para o gado. Nos últimos dias, a operação estourou seis acampamentos de invasores dentro da Flona, bem como identificou toras de ipê derrubadas e que já se encontram apreendidas. Outra irregularidade observada é que madeireiras de Novo Progresso estão movimentando seu crédito florestal para outras madeireiras. De acordo com Tavares, essas madeireiras não estão contribuindo com o meio ambiente e nem com a economia local, pois recebem os créditos fraudulentos e conseguem esquentar documentos que acobertam madeira extraída irregularmente, além de não recolherem impostos municipais, estaduais e federais.

A prefeita de Novo Progresso entende que o trabalho do Ibama é importante e acredita que a Operação Boi Pirata II pode marcar um recomeço. Ela diz estar disposta à parceria, sem, no entanto, esquecer o povo novo progressense, que deve ter respeitados seus longos anos de trabalho dedicados à terra. "Quero tirar Novo Progresso da posição de maior desmatador do País", afirmou.

Encontro

Madalena Hoffmann, o secretário municipal do Meio Ambiente, Cristiano Fontoura, o chefe da Flona Jamanxim do Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade - ICMBio, Lauro Paiva e Leslie Tavares reuniram-se na fazenda Barroso, situada no Ramal dos Goianos, norte da Flona do Jamanxim, dentro do município. Lá, tiveram a oportunidade de discutir vários assuntos, entre eles uma possível redefinição da Flona, a parceria entre Prefeitura e Operação Boi Pirata II e a conscientização para uma floresta preservada.

Madalena falou que a prefeitura está construindo um projeto que visa o desmatamento zero. Há dois meses, foram iniciadas negociações com algumas ONGs, com institutos ligados ao meio ambiente e com o Serviço Florestal Brasileiro e há proposta de realização do micro zoneamento das áreas rurais e o Cadastro Ambiental Rural – CAR em todas as fazendas do município.
Segundo o secretário Fontoura, o município não é favorável ao desmatamento ilegal, sobretudo após o pacto social firmado entre a Secretaria do Meio Ambiente do município, a do estado e o Ibama em 2007. O pacto estabelece que as pessoas que desmataram até aquele ano, apresentando Projeto de Recomposição de Áreas Degradadas – Prade poderão permanecer na área. Contudo, para os novos desmatamentos, o secretário entende que devem ser tomadas todas as medidas legais, como a Operação Boi Pirata II está fazendo.
De acordo com o coordenador geral de fiscalização do Ibama, Bruno Barbosa, outras operações com o propósito de coibir o desmatamento ilegal para criação de gado serão deflagradas nas regiões da Amazônia. Segundo ele, não vale a pena criar gado em área ilegal, pois os rebanhos serão confiscados pelo Governo Federal.

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