quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NATURALISTAS NA AMAZÔNIA


Caderno de anotações resgata as impressões de naturalistas na Amazônia

“Tudo é magia no silêncio verde. Curupiras surgem como fogos que dansam, e toda a matta estremece”, escreveu Graça Aranha sob impacto do contato com a natureza brasileira no livro Esthética da Vida. Esta citação e a imagens que suscitam, assim como de outros escritores, podem ser encontradas na publicação Viajantes: Caderno de anotações, resultado da convivência e pesquisas em obras raras e especiais da biblioteca Domingo Soares Ferreira Penna, do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Viajantes apresenta para o público a visão de diversos pesquisadores e naturalistas sobre a Amazônia.

Segundo Olímpia Resque, pesquisadora do Museu Goeldi e responsável pela elaboração e compilação do livro, inicialmente foram consultadas obras de importantes viajantes e naturalistas que percorreram a Amazônia desde o século XVIII até o início do século XX. Depois, foram selecionados parágrafos e citações escolhidos pela peculiaridade dos textos descritivos, que revelavam o impacto que a natureza e a cultura amazônica causou nesses estudos.

Outro aspecto importante do livro é a grafia do português, que foi mantida com o objetivo de trazer ao leitor o ”sabor literário exótico das descrições originais, deixando que o texto por si só revele os aspectos inusitados da natureza amazônica”, afirma Olímpia Resque.

Com mais de sessenta citações, o livro, além de divulgar o acervo documental do Museu Goeldi, proporciona aos leitores e usuários uma agenda permanente ilustrada e com informações sobre a Amazônia na visão dos viajantes e naturalistas.


Leia algumas das percepções dos viajantes:

“Orfeu tangendo a lira encantada para amansar os tigres e as panteras não seria mais poderoso, hipnotizante e magnetizador que o yrapuru cantando no seio augusto da selva amazônica” (Raimundo Moraes, em Na Planície Amazônica).

“O céu está negro e brumoso por todo lado, até parece que já é de noite. Faz um frio úmido. Cai uma chuva fininha que não quer parar” (Henri Coudreau, em Viagem ao Xingu).

Nenhum comentário:

Ocorreu um erro neste gadget