terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cultura, Ambiente e Sociedades Amazônicas

Intolerância dentro da universidade é tema de abertura de evento na UFOPA

Professora Dra. Jane Beltrão, vice-presidente da Associaçao Brasileira de Antropologia
Foto: Edvaldo Pereira / Amazônia em Foco

Desnaturalizar todas as formas de discriminação, sejam elas raciais, de gênero e sexualidade, destacando direitos socioambientais e de coletividades. Esse foi o norte da conferência de abertura proferida pela antropóloga Jane Beltrão no I Encontro Diversidade em Foco e I Simpósio Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente, eventos integrados promovidos pelo Programa de Extensão Patrimônio Cultural na Amazônia (Pepca) e pelo Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) da Ufopa, que ocorreu nesta segunda-feira, dia 9, no Auditório Wilson Fonseca, Unidade Rondon do Câmpus Santarém.

Docente dos programas de pós-graduação em Antropologia (PPGA) e em Direito (PPGD) da Universidade Federal do Pará (UFPA) e vice-presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), a antropóloga destacou questões de diversidade cultural que ainda estão em aberto. “As pessoas têm ideias, que não são adequadas, sobre as nossas formas de ver o mundo, e elas reproduzem isso, e ao reproduzir, elas reproduzem desrespeito; elas são intolerantes; elas não percebem que as formas diferenciadas que nós temos de agir, de falar, de comer, de cantar etc. devem ser respeitadas porque elas são vias legítimas de estar no mundo. Nós estamos no mundo porque temos cultura. Nós estamos no mundo porque pertencemos a um grupo social, e qualquer forma de estar no mundo é equivalente às demais. Portanto, não há hierarquia entre as culturas”, enfatizou a antropóloga, destacando que a diversidade sociocultural é um princípio impossível de ser desconhecido.


Diversidade na universidade

O debate em torno da defesa de uma sociedade e uma universidade que aceitem as diferenças que desvendam a diversidade cultural foi uma reivindicação dos estudantes indígenas e quilombolas da Ufopa, segundo Luciana Carvalho, docente da Ufopa e uma das organizadoras dos eventos integrados. “Da parte do ICS, houve uma motivação gerada pelos próprios alunos, antes do período da greve. Em suma, as reivindicações que eles colocavam eram em relação ao respeito à diversidade étnica, cultural e de gênero. Já da parte do programa de extensão, a nossa motivação foi o debate acerca dos direitos culturais que estão na base do patrimônio cultural”, lembra Carvalho.

Serviço: O evento conjunto I Encontro Diversidade em Foco e I Simpósio Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente vai até o dia 13 de novembro, no Auditório Wilson Fonseca, Unidade Rondon, Câmpus Santarém da Ufopa.


Talita Baena – Colaboradora do blog Amazônia em Foco

Biodiversidade Amazônica

Nova espécie de peixe é encontrada na Flona Tapajós


Professores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) descobriram uma nova espécie de peixe, denominada Bryconops munduruku, em um igarapé situado na Floresta Nacional do Tapajós. De pequeno porte, a nova espécie foi encontrada no igarapé Açu, pertencente à bacia do rio Tapajós, próximo ao município de Aveiro (PA). A descoberta foi publicada, por meio de artigo científico, na edição de maio do jornal internacional Zootaxa, publicação referência em taxonomia animal.

A descoberta é resultante da pesquisa realizada pelo biólogo Cárlison Silva de Oliveira, egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Aquáticos Continentais Amazônicos (PPG-RACAM) da Ufopa, para sua dissertação de mestrado, intitulada “O estudo da ictiofauna em igarapés nos sistemas de drenagem na Floresta Nacional do Tapajós”.

Defendida em 2014, a dissertação contou com a orientação do professor Frank Raynner Ribeiro e coorientação do docente André Luiz Canto, ambos vinculados ao Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas (ICTA). A descrição taxonômica da nova espécie - que pode ser endêmica da bacia do rio Tapajós - foi realizada em conjunto pelos três pesquisadores.

Segundo Cárlison Oliveira, o nome da espécie faz alusão aos indígenas da etnia Munduruku, que se estabeleceram na margem direita do rio Tapajós e deram origem ao município de Aveiro. “É uma espécie de pequeno porte, encontrada até agora em apenas um igarapé que drena para o rio Tapajós”, explica. “O maior indivíduo encontrado mediu 9,5 cm”.

O pesquisador explica que a dissertação de mestrado não focou apenas na parte taxonômica, mas também na ecologia dos igarapés. “A proposta inicial era realizar um levantamento da ictiofauna nos igarapés da Flona Tapajós, já que não existia nenhum tipo de estudo sobre a ictiofauna e sim de outros grupos de flora e fauna, que não contemplavam os peixes”.

As coletas realizadas nos igarapés da Flona Tapajós também permitiram a descoberta de outras novas espécies de peixes, que serão descritas futuramente. “Fizemos coletas em 22 igarapés, interligados às bacias dos rios Tapajós, Curuá-Una e Cupari. São três sistemas de drenagem diferentes”, explica. No levantamento realizado pelos pesquisadores da Ufopa foram identificadas 117 espécies de peixes. “É o maior registro que se tem para um estudo em igarapés na região. Isso mostra a alta diversidade de espécies de peixes em igarapés situados em uma unidade de conservação”.

Malu Morais – Colaboradora do blog Amazônia em Foco




terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cultura e Ambiente na Amazônia

Instituto de Ciências da Sociedade (ICS/UFOPA) promove evento para discutir diversidade e sociedades amazônicas


Estão abertas as inscrições para o I Encontro Diversidade em Foco & I Simpósio Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente, eventos integrados que discutirão temas como discriminação e racismo nas universidades; gênero e sexualidade; direitos socioambientais e coletividades, entre outros. Promovidos pelo Programa de Extensão Patrimônio Cultural na Amazônia (Pepca) e pelo Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) da Ufopa, os eventos serão realizados no período de 9 a 13 de novembro, no Auditório Wilson Fonseca, Unidade Rondon, em Santarém (PA).

De acordo com a organização dos eventos, as iniciativas visam a promover, por meio de debates e mesas-redondas, o intercâmbio de ideias e experiências interdisciplinares de atuação no campo do patrimônio cultural e dos direitos culturais, especificamente na Amazônia. “Durante os últimos meses denúncias de discriminações, associadas a preconceitos étnicos e de gênero, vieram à tona no Instituto, apontando a necessidade de tratar urgentemente do assunto, principalmente tendo em vista a presença de vários indígenas e quilombolas no corpo discente”, explica a vice-diretora do ICS, Lilian Rebellato.

Participarão dos debates professores e discentes da Ufopa, Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), lideranças indígenas e representantes do Ministério Público Federal, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), entre outros. Os eventos contarão ainda com minicursos, lançamento de livros e programação cultural de encerramento.


Inscrições – No valor de R$ 10,00, as inscrições para o Encontro e o Simpósio estão sendo realizadas no Pepca, situado na sala 302, 3º andar, da Unidade Amazônia (Av. Mendonça Furtado, bairro de Fátima). 

Mais informações pelo e-mail: pepca.ufopa@gmail.com.

Serviço: I Encontro Diversidade em Foco & I Simpósio Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente

De 9 a 13 de novembro de 2015

Local: Auditório Wilson Fonseca, Unidade Rondon

Organização: Programa de Extensão Patrimônio Cultural na Amazônia (Pepca) e Instituto de Ciências da Sociedade (ICS)


Maria Lúcia Morais - Comunicação/Ufopa

domingo, 4 de outubro de 2015

Hidrelétricas no Rio Tapajós

O conhecimento Munduruku encontra a ciência brasileira: a farsa dos estudos de impacto da usina São Luiz do Tapajós


Nove cientistas analisaram os estudos e demonstram a omissão de impactos importantes. Dois sábios Munduruku pediram que a ciência brasileira reconheça a importância dos conhecimentos indígenas e ribeirinhos sobre os ecossistemas do Tapajós

Na região a ser impactada por São Luiz do Tapajós, no médio curso do rio Tapajós, foram identificadas 352 espécies de peixes, mais do que existe no Pantanal matogrossense, famoso pela riqueza da ictiofauna e mais do que já foi identificado na Europa inteira. Mesmo assim, na lista de impactos da usina, apresentada ao Ibama no Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (Eia/Rima), não consta nenhuma ameaça sobre os peixes, que são alimento para milhares de índios e ribeirinhos que vivem nas margens do rio.
A omissão de maior parte dos impactos significativos nos Estudos é uma das principais críticas feitas por um grupo de nove cientistas brasileiros que, a pedido da organização não-governamental Greenpeace, analisaram o Eia-Rima. A análise foi entregue ao Ministério Público Federal em evento na Universidade de Brasília, no último dia 29 de setembro. Ao lado dos cientistas, sábios Munduruku representando o conhecimento tradicional do povo que há mais tempo vive no Tapajós.
"Não há lista de espécies impactadas. Os habitats mais impactados pela barragem, que vão ser alagados, são os que têm amostragens menos significativas. É um estudo ambiental, não de impacto ambiental", resumiu Luciano Naka, da Universidade Federal de Pernambuco, que coordenou a análise. Ele explicou que o EIA apresentado minimiza e omite impactos negativos, como os efeitos no trecho do rio abaixo da barragem e os planos de implantação de mais quatro hidrelétricas na mesma bacia hidrográfica. O RIMA foi apontado pelos pesquisadores como mera peça de marketing, falhando em informar a sociedade sobre as consequências reais do empreendimento.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Phillip Fearnside, um dos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz em 2007, apontou que o estudo não menciona nenhum local sagrado para os Munduruku. Além disso, os responsáveis pelo EIA afirmam que os ribeirinhos que moram no Tapajós lá chamados de beiradeiros não são população tradicional, numa tentativa clara de sonegar direitos que são protegidos pela Constituição. "Assim como não cabe ao estado brasileiro, não cabe aos empreendedores definirem quem é ou não população tradicional", disse a subprocuradora-geral da República Deborah Duprat, responsável pela 6ª Câmara de Revisão e Coordenação do MPF, que trata dos povos indígenas e tradicionais. 

"Os estudos são uma farsa. Estamos brincando de que existe um licenciamento sério. Na lógica em que estamos fazendo o licenciamento, o empreendimento vai acontecer não importa quais sejam as objeções", criticou Duprat. Ela e o procurador da República Camões Boaventura, que atua em Santarém, receberam cópias da análise para instruir as investigações que o MPF conduz sobre a usina São Luiz do Tapajós. "A Constituição federal está sendo jogada no lixo. Já há impactos gravíssimos ocorrendo na região. O simples anúncio da usina provocou uma corrida por desmatamento ilegal, invasão de terras públicas, mineração ilegal", disse Camões.
 

"Em vez de cumprir com o seu papel, que é de prever os reais impactos da construção de empreendimentos do porte dessa hidrelétrica e, assim, informar o processo de decisão, esses documentos tornaram-se mera formalidade para legitimar decisões políticas já tomadas", afirma Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace. "Se fosse feito corretamente, o EIA/RIMA mostraria que as consequências da obra são inaceitáveis e a usina, portanto, inviável", conclui.

Os dois sábios Munduruku presentes pediram que a ciência brasileira reconheça a importância dos conhecimentos indígenas e ribeirinhos sobre os ecossistemas do Tapajós, entre os mais ricos e preservados da Amazônia. "Vocês que estão aqui precisam respeitar o nosso conhecimento e aprender com a gente", exortou o cacique Juarez Saw Munduruku. "Toda essa natureza partiu de nós, nós ajudamos a construir. Existe a natureza por causa do povo indígena. A gente preserva para manter o equilíbrio da vida. A gente sabe a catástrofe que vai ser se não tiver mais floresta. Na cidade vocês já estão sentindo isso, sentem falta de água, falta de brisa fresca", disse Jairo Saw Munduruku.

Jairo comparou os locais sagrados que já estão sendo destruídos pelas usinas hidrelétricas no rio Teles Pires, importante formador do Tapajós, no Mato Grosso a pontos sensíveis do corpo de uma pessoa, que não podem ser agredidos. "Se existem leis para proteger a vida, porque vocês não dizem que é inviável destruir essa vida?", perguntou.

O MPF já tem 19 ações judiciais apontando irregularidades e violação de direitos nas usinas hidrelétricas na bacia do Tapajós. A análise dos cientistas e as informações dos índios Munduruku e ribeirinhos serão utilizadas pela instituição para continuar as investigações sobre as barragens. No total, o governo projetou 43 barragens para a bacia, formada além do Tapajós pelos rios Juruena, Jamanxim e Teles Pires.
 

Confira a análise que foi entregue ao MPF: acesse aqui o relatório científico e aqui o relatório ilustrado.


Fonte: Ministério Público Federal

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Terra Indígena no Oeste do Pará

Funai publica os estudos da Terra Indígena Cobra Grande, Santarém (PA)



Os estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena (TI) Cobra Grande, em Santarém (PA), foram assinados, na última sexta-feira (25), pelo presidente da Funai, João Pedro da Costa, e publicados hoje (29), no Diário Oficial da União. A publicação foi um compromisso firmado entre o presidente e representantes indígenas de diversos povos da região do Tapajós (PA), durante reunião ocorrida no dia 15 de setembro, na sede da Funai, em Brasília-DF.

Dotada de uma superfície de 8.906 hectares, a TI localiza-se à margem esquerda do baixo curso do rio Arapuins. A população, composta pelos povos Arapium, Tapajó e Jaraqui, distribui-se em cinco comunidades: Caruci, Lago da Praia, Santa Luzia, Arimum e Garimpo/Caridade.

A população indígena pratica a tradicional economia mista ribeirinha, que integra a agricultura, a pesca, a caça e o extrativismo vegetal, associados à criação em pequena escala de animais domésticos. A pesca e os derivados da mandioca compõem a base da alimentação cotidiana dessas comunidades.

Embora os indígenas já habitem essa área de forma permanente, onde plantam roçados e constroem casas de farinha, em espaços denominados "centros" ou "colônias", houve diversos momentos em que precisaram se deslocar para regiões mais distantes, devido ao avassalador processo de colonização da região. A formação das comunidades, a partir da década de 1970, foi um dos alicerces para que, hoje, se pudesse realizar esse estudo.

Em tempo de rápidas transformações, a demarcação da Terra Indígena Cobra Grande representa, para os indígenas, a possibilidade de manterem a autodeterminação de suas organizações sociopolíticas e a integridade de seus modos de produção tradicional.

Fonte: Funai


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Antropólogos e arqueólogos questionados

Estudantes indígenas denunciam discriminações em curso da UFOPA

A mensagem entregue ao Programa de Antropologia e Arqueologia/UFOPA, em 18 de maio, com cópias para diversas organizações, incluído o Ministério Público Federal, é assinada por três entidades representantes dos alunos indígenas do Baixo Tapajós na instituição

* * *
Ao PAA – Programa de Antropologia e Arqueologia*

Nós, Organizações de legítima representatividade dos POVOS INDÍGENAS: Diretório Acadêmico Indígena (DAIN) da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA, diretório que representa aproximadamente 250 indígenas de diferentes etnias, dos município Santarém Belterra Aveiro, Itaituba, Jacareacanga, Oriximiná e Altamira, junto o Conselho Indígena Tapajó Arapiuns (CITA), representante juridicamente dos povos da região do Baixo Tapajós nos Municípios de Santarém, Belterra e Aveiro no Estado do Pará, povos estes: Arapiun, Apiaká, Arara Vermelha, Borari, Jaraqui, Kumaruara, Maytapú, Munduruku, Munduruku Cara Preta, Tapajó, Tapúia, Tupinambá e Tupaiu, e o Grupo de Consciência Indígena (GCI), vimos por meio deste SOLICITAR deste colegiado UM POSICIONAMENTO E AÇÃO com relação a conflitos políticos, e o porquê da omissão deste programa frente a alguns acontecimentos que vem ocorrendo por parte de alguns discentes indígenas waiwai pertencentes ao mesmo.

Atualmente, os POVOS INDÍGENAS do Baixo Tapajós passam por tensos conflitos no âmbito politico-educacional, promovidos por alguns indígenas do povo waiwai, tendo como principais protagonistas alunos com vínculo acadêmico ao Programa de Antropologia e Arqueologia da Ufopa(PAA). No ultimo dia 25 de março de 2015 em audiência no Ministério Público Federal, onde estavam presentes, lideranças indígenas dos Povos do Baixo Tapajós, alunos waiwai, entre eles, Walter WaiWai, Roque WaiWai e Jaime WaiWai estudantes de antropologiae arqueologia, e outros Waiwai; além de alguns outros estudantes Munduruku do Médio e Alto Tapajós; Dr. Camões, procurador da República; Jane Beltrão, vice presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA); o antropólogo prof. Dr. Florêncio Vaz, professor do PAA e diretor da Diretoria das Ações/UFOPA; o antropólogo Prof. Dr. Rubens Dourado, professor do PAA e vice Coordenador do PAA/UFOPA e o Sr. Wallace Carneiro, advogado do Setor Jurídico UFOPA, convocada pelo Dr. Luís Camões Boaventura, com o objetivo de amenizar os conflitos entre os grupos étnicos, porém, durante a reunião, o aluno Walter WaiWaise posicionou de forma totalmente preconceituosa e com tons ameaçadores para com os Indígenas do Baixo Tapajós, ameaças estas direcionadas, em especial, à liderança indígena, o Sr. João Tapajós, nas quais o mesmo, Walter, o chama de “branco”, negando assim, com preconceito, a identidade étnica do mesmo, além de ameaçar fisicamente outra liderança indígena reconhecida pelo movimento, o Sr. Adenilson,PoróBorari, a qual foi contida pelos demais presentes. E também com o Sr. Gedeão Monteiro, liderança indígena Arapiun, coordenador do Ensino Médio Modular Indígena, desde 2010,o qual vem tendo sua identidade étnica constantemente negada por Walter.

Depois da cansável discussão, conciliou-se que o Sr. Walter Waiwai e demais representantes de seu povo, os quais o apoiam, não mais deveriam se manifestar com preconceito para com os indígenas do Baixo Tapajós, conciliação esta firmada com mediação feita pelo próprio Procurador da República, com auxílio dos antropólogos que ali estavam, incluindo a vice coordenadora da ABA, a qual representa a profissão em que o mesmo está se formando, ou melhor, em que o PAA/UFOPA está o HABILITANDO, onde todos foram UNÂNIMES em afirmar que o discurso do Walter Waiwai se encontra totalmente contrário ao que estuda a Antropologia.

Depois desse episódio, alunos indígenas do Baixo Tapajós, vinculados ao programa PAA, e à UFOPA como um todo, sentem-se desconfortáveis com essa situação, uma vez que, esses conflitos que, de certa forma, perpassou para fora da Universidade, continua dentro do PAA e de outros Institutos, podendo até gerar conflitos físicos entre os pertencentes aos grupos étnicos envolvidos. Para acirrar mais ainda esses conflitos, essa semana, lideranças do CITA, DAIN e GCI, tiveram acesso ao documento (anexo)* que reafirma os preconceitos por parte de alguns WaiWai, onde, em especial, destacam-se as assinaturas de Walter Waiwai, Beni WaiWai, Roque WaiWai (todos alunos de antropologia da UFOPA), Jaime WaiWai (aluno de arqueologia da UFOPA) e mais outros WaiWai pertencentes a outros programas envolvidos. Nesse documento é legítima a acusação de que nosso atual coordenador do Ensino Modular Indígena não é “índio de verdade”, sendo assim, um “falso índio”, como todos os povos do Baixo Tapajós.

Sendo assim, REPUDIAMOS A ATITUDE DO PAA, no que se refere à omissão de parte seu quadro docente frente aos últimos acontecimentos envolvendo a integridade étnica dos povos da região do Baixo Tapajós, a saber: No caso da sentença do Sr. Juiz Airton Portela, a qual negou a existência étnica dos povos Borari e Arapiun, e consequentemente os demais povos da região, sentença esta com grande repercussão na mídia nacional, que, pela proporção do fato, caberia à categoria, no mínimo, uma nota com parecer antropológico, independente de uma solicitação formal, respaldando até mesmo a atual “pseudopolítica etnoeducacional” promovida pela instituição, a qual faz parte, ressaltando que este posicionamento não caberia apenas ao PAA, mas a própria UFOPA, por conta das críticas contidas na sentença referentes ao Processo Seletivo Especial Indígena (PSEI) da mesma. E, também, em relação à postura do aluno Walter Waiwai, o qual está prestes a se formar sem ter o mínimo de respeito e compostura ética inerente à profissão do Antropólogo, além de estar totalmente desprovido de embasamento teórico, o qual foi maciçamente discutidos em sala aula, para respaldar seus argumentos ao afirmar que na região do Baixo Tapajós não há índios, postura esta que causou temor e preocupação na própria Vice presidente da ABA, Jane Beltrão, no que diz respeito ao tipo de profissional que vem sendo formado pela instituição UFOPA.
A sensação que nós, indígenas do Baixo Tapajós, temos é de uma implícita e ao mesmo tempo explícita discriminação manifestada por meio das atitudes e discursos de vários segmentos da instituição, em especial, do próprio corpo docente, não todos. Por vezes, parecemos ser invisíveis a estes profissionais, que, talvez tenham as mesmas concepções do aluno Walter Waiwai e do Sr. Juiz Airton Portela. Não somos tratados como indígenas por não sermos bilíngues? Ou por que não somos “exóticos” e selvagens, a ponto de responder aos fatos da maneira como agiria o indígena de suas concepções?  Entendemos que para estes profissionais, de uma forma geral, os indígenas que atualmente estão na Universidade são apenas os Waiwai e os Munduruku. Talvez, essa postura, não percebidas, apenas, por eles próprios, docentes, esteja contribuindo para alguns grupos éticos se acharem no direito de ser mais indígenas que outros, gerando toda essa “bola de neve”.  Nesse sentido, a omissão de tais fatos, para nós, configura-se como uma conivente discriminação.

Como prova do proferido, foi o último acontecimento envolvendo o pesquisador Daniel Belik, convidado pelo PAA, para ministrar uma palestra sobre sua pesquisa de Doutorado a ser realizada junta ao povo Munduruku – alvo de frequentes pesquisas – a qual foi contestada por alunos do presente grupo étnico, hoje na universidade. Os quais alegaram que o mesmo não tem autorização do povo Munduruku do Alto e do Médio Tapajós para realizar sua pesquisa.

Mediante o fato, provavelmente, por se tratar de um grupo, como já mencionado, bilíngues, o PAA, a nosso ver, mostrou-se muito preocupado e até solícito com a causa do povo Munduruku, nada contra os parentes, somos até solidários com os mesmos, mas acreditamos ter um exagero por parte de alguns professores do Programa na tentativa de sanar em tempo hábil um fato que, para nós, indígenas do Baixo Tapajós, é apenas “uma gota d´agua” frente ao “oceano de problemas” que estamos enfrentado, e que da mesma forma, atingem diretamente a credibilidade, não só do programa como do próprio papel do Antropólogo atuante na universidade, mas que, no nosso caso, até o momento, nada fizeram.Vale frisar que o caso “Daniel Belik” não deveria ter tomado tal proporção, até mesmo porque o convite ao palestrante não foi feito apenas por um Docente, mas sua indicação foi sugerida e acatada em reunião de colegiado.

Repudiamos ainda o fato dos docentes (não todos), “exigirem” um documento formal para poder se manifestar, uma vez que os mesmos têm ciência da gravidade dos fatos que estamos enfrentando. Por entendermos que a antropologia é a área do conhecimento que tem melhor embasamento teórico para lidar com assuntos relacionados à questão de pertencimento étnico, não compreendemos o porquê da omissão do PAA, e mais ainda, o porquê que um(s) discente(s), estudante(s) de antropologia apresenta(m) tal postura preconceituosa, e, quando embasados, com teorias duvidosas.

Tudo que está acontecendo, leva-nos a questionar até que ponto esses estudantes estão “preparados antropologicamente” para saírem com o diploma desta Universidade, mas em especial, com a formação do PAA? Não queremos que esta Universidade ou esse Programa seja mais um “formador” de inimigos dos Povos indígenas, especialmente dos Povos Indígenas do Baixo Tapajós. Um diploma em mãos erradas e sem o devido mérito, na atual conjuntura, para nós, está mais do que provado ser uma “arma letal”.
As coisas já parecem dar indícios de estar fora de controle. Aos poucos estamos cada vez mais desacreditados, até mesmo das próprias fundamentações teóricas que estudamos no curso de Antropologia. Não é fácil ver teoria e prática andarem tão desunidas. Aprendemos uma coisa e alguns de nossos docentes agem contrários ao ensinado – lembrando que não são todos os docentes.

Muitos parentes estão constrangidos em ter que dividir o mesmo espaço que alguns indígenas Waiwai, também não são todos. A situação está tão insuportável que alguns acadêmicos indígenas estão desmotivados no curso de Antropologia e já pensam em desistir ou mesmo fazer mobilidade para outros institutos para não ter que se deparar com esses alunos e professores, abstendo-se do preconceito e da hipocrisia. Como pode-se perceber nossos indígenas do Baixo Tapajós, por conta desses acontecimentos, estão psicologicamente abalados. Quando o caso tem a ver com nossa identidade, ele não fica apenas na universidade, levamo-los para casa.

Aproveitamos este documento para solicitar ao MPF e a própria UFOPA que promovam uma reunião com todos os devidos seguimentos: FUNAI, PAA, ICS, Diretoria de Ações Afirmativas da UFOPA, acadêmicos e lideranças indígenas, Reitoria, PROGES e demais institutos da UFOPA, a fim de buscar soluções que amenizem a sociabilidade dos indígenas na universidade.

É impossível nossas insatisfações serem contempladas nesse único documento, mas esperamos que o nosso pouco aqui tratado possa ser motivo de reflexão e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para que o PAA e a UFOPA como um todo possam se manifestar em relação aos fatos apontados.

Sem mais.

DAIN – Diretório dos Acadêmicos Indígenas
CITA – Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns
GCI – Grupo de Consciência Indígena



* Entidades copiadas: ICS – Instituto de Ciências da Sociedade; PROGES/DAA – Pró Reitoria de Gestão Estudantil /Diretoria de Ações Afirmativas; PROEN – Pró Reitoria de Ensino; Ouvidoria da Universidade Federal do Oeste do Pará; MPF – Ministério Público Federal FUNAI – Fundação Nacional do Índio; ABA – Associação Brasileira de Antropologia.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Tecnologia social

Biofiltro poderá facilitar acesso à água de qualidade ao longo do Amazonas
Comunidades ribeirinhas vivem sem água tratada
Foto: Aline da Paixão/Divulgação Ufopa

Cerca de 260 comunidades do município de Santarém vivem na maior bacia de água doce do planeta. Na várzea do Amazonas, elas conseguem desenvolver a agricultura e criar animais durante seis meses. Na outra metade do ano, o rio inunda as partes mais baixas. Mesmo cercadas pelo rio, essas comunidades enfrentam o sério problema de não ter acesso à água de qualidade.

Sem sistema sanitário ou mecanismos que permitam a captação de águas do lençol freático, as populações consomem a do rio, que apesar de farta não é a opção mais segura. “Hoje, há a intensificação da navegação, com maior quantidade de embarcações, e os dejetos que são lançados no rio contribuem para a sua contaminação”, explica o professor Manoel Roberval Pimentel Santos, do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG). Além disso, a maioria das famílias usa fossas rudimentares, que também contaminam o rio no período da cheia.

O professor coordena a pesquisa de um filtro de baixo custo e sustentável, produzido a partir do caulim, uma argila comum na região, conhecida como tabatinga. O caulim permite a formação da zeólita, um material com estrutura cristalina capaz de reter determinados elementos. Ela funciona como uma peneira molecular e é utilizada industrialmente na composição de detergentes com a função de remover moléculas de gordura, por exemplo.

Atualmente, o filtro está em fase de testes. Tatiane Costa, aluna de Engenharia Física, explica como ele funciona: “A água é colocada em um tubo, onde passa por camada de areia e carvão ativado e depois goteja em um segundo tubo, que dá acesso à zeólita”.  A pesquisa também verificará se as pastilhas de zeólita são capazes de eliminar coliformes fecais e bactérias. Após a filtragem, a água é submetida a análises físico-químicas para verificar se houve retenção de matéria orgânica, bem como alterações na acidez, turbidez e odor.

“Se conseguirmos demonstrar que a zeólita pode fazer essa filtração junto com o carvão ativado e a areia, que são materiais com custo muito baixo, poderemos manipular e produzir em grande quantidade para distribuir futuramente para as comunidades ribeirinhas. Vai ajudar na saúde, principalmente, já que vários casos de doenças ligadas à água ocorrem com uma frequência muito grande nessas comunidades”, afirma Tatiane.

Geração de energia e água de qualidade


O biofiltro faz parte de uma proposta maior para desenvolver um microssistema integrado de geração de energia elétrica, captação e tratamento de água para comunidades de várzea do Amazonas, buscando atender inicialmente 40 famílias na região.

A ideia do projeto é gerar energia elétrica com painéis solares, para acionar bombas de baixa potência que captarão a água do rio ou de um poço de até 30 metros de profundidade. A partir daí, a água seria tratada, passando por um processo de decantação para a retirada de excesso de sedimentos, filtragem e cloração.

Os projetos são realizados no âmbito dos programas de iniciação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação e extensão (Pibic, Pibiti e Pibex), e o grupo de pesquisa liderado pelo professor está em busca de financiamentos para custear e melhorar o desenvolvimento das pesquisas.

“Essa contradição me inquieta bastante: como é que essas pessoas, que vivem dentro da água, têm problema de água? É papel da Universidade buscar soluções e alternativas sustentáveis. A Ufopa foi criada com o objetivo de diminuir essas contradições”, conclui Roberval.

Com informações de Luena Barros – Comunicação/Ufopa


sábado, 14 de março de 2015

Série: Imagens da Amazônia

Chuva sobre o Cairé, vista do Lago Verde, 
em Alter do Chão (Santarém/PA)
É expressamente proibida a reprodução desta foto sem prévia autorização

quarta-feira, 11 de março de 2015

História da Amazônia

UFOPA recebe especialistas para debater
História da Amazônia

Realizado em duas cidades da região Norte (Belém e Santarém) e em São Luís do Maranhão, na região Nordeste, o Seminário História da Amazônia ocorrerá na próxima sexta-feira, 13 de março, no auditório do Câmpus Rondon, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), debatendo sobre a revolta da Cabanagem e questões indígenas.

Organizado pelo Programa de Ciências Humanas do Iced e pelo programa de Antropologia e Arqueologia do ICS, o evento irá trazer para Santarém os professores Mark Harris e Silvia Espelt – ambos da Universidade de Saint Andrews, da Escócia, e também o professor Karl Arenz, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O evento é composto por duas palestras a ser proferidas no miniauditório (HA1) do ICED nos dias 13 e 16 de março, a partir das 19h. O número de vagas para a palestra é 100. No dia 13 de março, à tarde, haverá uma programação com o professor Karl Arenz, uma oficina na qual ele trabalhará um texto de José Veríssimo. Essa oficina tem vagas limitadas.

Inscrições – As inscrições poderão ser feitas na Coordenação do Programa de Ciências Humanas (Ufopa/Câmpus Rondon), localizada no 3° andar do prédio H, de 9 às 12hs, ou no dia do evento, se houver vaga. O valor da inscrição é R$5,00.

Para mais informações sobre a inscrição e programação de evento envie um e-mail para vanicemelo@gmail.com ou ligue para (93) 2101.3644

Veja a programação disponibilizada pela organização do evento:


Com informações da Assessoria de Comunicação/UFOPA

National Geographic POD