segunda-feira, 3 de agosto de 2009

MANEJO DO PIRARUCU

Indústrias de beneficiamento do pirarucu serão as primeiras da América Latina

Amanda Mota/ABr

Localizados a cerca de 680 quilômetros de Manaus, no oeste do Amazonas, os municípios de Maraã e Fonte Boa serão os primeiros da América Latina a contar com indústrias de beneficiamento (salga) de pirarucu. A construção das unidades tem início na próxima semana e a inauguração está prevista para novembro deste ano.

As fábricas terão capacidade para produzir 10 toneladas diárias e até 3 mil toneladas por ano. A expectativa é criar 5 mil postos de trabalho indiretos, além dos 150 funcionários que atuarão diretamente em cada uma delas. O pirarucu é um dos peixes mais famosos da região e conhecido como o “bacalhau da Amazônia”.

A construção das duas fábricas está orçada em cerca de R$ 3 milhões. Os investimentos são da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O pirarucu será integralmente aproveitado. O fígado e o coração serão transformados em patê; as escamas serão destinadas ao artesanato e a cabeça será transformada na ensilada – um composto de alto valor protéico utilizado na produção de ração animal. Do total de peixes processados, 60% serão transformados em filé, dos quais 65% serão aproveitados pelo processo de salga.

O secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra, explicou que a escolha desses dois municípios se deu pela proximidade com a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, única área no estado onde é permitida a pesca do pirarucu.

“A piscicultura no Amazonas conta naturalmente com lagos e rios abundantes e que pode ser aprimorada com o manejo das espécies, sem prejudicar o meio ambiente. Com as vocações naturais e medidas como as das novas indústrias, poderemos consolidar um polo para processar peixe o ano inteiro no estado”, disse o titular da Secretaria de Produção Rural do Amazonas (Sepror).

O projeto também prevê a instalação de creches para os filhos das funcionárias, a construção de uma área de lazer nos municípios e até mesmo minipostos de saúde para atender a população em torno das fábricas.

O prefeito de Fonte Boa, Antônio Gomes Ferreira, disse em entrevista à Agência Brasil que a indústria profissionalizar o trabalho da comunidade, e agregar a isso qualidade, mais renda e mais empregos. "Esperamos que tudo isso ajude o município crescer e que a população tenha melhores condições de vida”.

Com a venda do pescado beneficiado, o faturamento anual de Maraã e Fonte Boa será de, aproximadamente, R$ 70 milhões. Atualmente a soma dos orçamentos, por ano, dos dois municípios é inferior a R$ 30 milhões.

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