terça-feira, 24 de agosto de 2010

NOVAS ESPÉCIES NA AMAZÔNIA



Estudo registra cinco novas espécies de aves no Brasil

Tese de doutorado mapeia 655 espécies de aves no Acre e realiza novos levantamentos em regiões que ainda não haviam sido visitadas por ornitólogos

Estudos realizados nas florestas tropicais têm mostrado que elas abrigam mais da metade das espécies de plantas e animais do planeta. Além desta enorme biodiversidade, essas florestas também ajudam a manter a estabilidade climática do planeta. A Amazônia é a maior, a mais diversa, das florestas tropicais do planeta. Ela cobre mais de seis milhões de quilômetros quadrados em nove países do norte da América do Sul. Segundo o autor da tese, a região abriga pelo menos 40.000 espécies de plantas, 427 de mamíferos, 1294 de aves, 378 de répteis, 427 de anfíbios e mais de 3000 espécies de peixes, que representam cerca de 10% da biodiversidade mundial.

A pesquisa de Edson Guilherme, que é professor do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza da Universidade Federal do Acre (UFAC), preenche a lacuna de dados sobre a diversidade avifaunística acreana. "A minha tese tenta sintetizar e descrever da forma mais acurada possível a diversidade e a distribuição de um grupo animal específico, as aves, ao longo do estado", resume. A tese de doutorado defendida em junho de 2009, teve orientação do prof. Dr. José Maria Cardoso da Silva, no âmbito do Programa de Pós-Graduação de Zoologia, mantido pelo Museu Goeldi e a Universidade Federal do Pará (UFPa).

Quantas e quais são as espécies de aves do estado do Acre; como essas espécies estão distribuídas dentro do estado; e qual o seu estado de conservação foram as principais questões levantadas pela pesquisa. "Ao final dos trabalhos, 655 espécies foram confirmadas para o Acre [distribuídas em 73 famílias e 23 ordens], sendo que cinco destas foram registradas pela primeira vez em território brasileiro. São elas: flamingo-da-puna (Phoenicoparrus jamesi), o pica-pau-anão (Picumnus subtilis), o arapaçu-de-tschudi (Xiphorhynchus chunchotambo), o flautim-rufo (Cnipodectes superrufus) e o caneleiro (Pachyramphus xanthogenys)", conta o autor.

De acordo com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO), o Brasil possui atualmente 1.825 espécies de aves (eram 1.820 no período de elaboração da tese de Edson Guilherme) e, segundo o autor, é um dos países mais ricos em espécies da América do Sul. Algumas localidades do oeste amazônico, situadas próximo ao sopé dos Andes, revelaram a presença de mais de 500 espécies de aves e, na região, a maioria das áreas de endemismo para aves é delimitada pelas margens dos grandes rios, como por exemplo, o Madeira, o Tapajós e o Xingu.

Durante os anos de 2006 e 2007, foram realizadas vinte expedições ao Acre com o objetivo de registrar e coletar aves, e as regiões escolhidas para os novos inventários foram aquelas onde havia pouco ou quase nenhum levantamento ornitológico prévio. Os espécimes coletados foram taxidermizados e depositados na coleção ornitológica do Museu Goeldi.

Por influência desse estudo, a avifauna acreana sofreu um acréscimo de 45 espécies e, de todas as espécies confirmadas para o Acre, 22 são conhecidas em território brasileiro apenas a partir dos registros feitos no estado. Das 655 espécies registradas, apenas uma (Sporophila maximiliani- que possivelmente tenha sido introduzida) está presente na lista das aves brasileiras ameaçadas de extinção divulgada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. No entanto, tendo como base a lista vermelha de espécies ameaçadas divulgada pela IUCN (International Union for Conservation of Nature), há no Acre dez espécies classificadas na categoria "Quase Ameaçada", segundo Edson Guilherme.

A pesquisa registrou, ainda, 59 espécies migratórias (oriundas de sítios de reprodução fora do bioma amazônico), dos tipos migrantes neárticas (provenientes do hemisfério norte), intra-tropicais, ou austrais (do sul da América do Sul). Em relação às 596 espécies de aves florestais residentes (que se reproduzem no estado), a maioria (405) se distribui em todo o Acre - o que pode ser reflexo das poucas barreiras físicas presentes no relevo estadual.

Para o autor da tese, o grande número de espécies registradas no estado do Acre corrobora a idéia de que o sudoeste amazônico é, de fato, uma região de alta diversidade avifaunística. "Para se ter uma idéia, as 655 espécies confirmadas representam mais da metade de todas as espécies de aves registradas na Amazônia", acrescenta, lembrando que o número de espécies detectadas deverá aumentar quando novos levantamentos forem realizados.


O Acre: território preservado e atividades primárias

Um dos estados menos desmatados da Amazônia brasileira, o Acre está situado no sudoeste da Amazônia e faz fronteira internacional com o Peru e a Bolívia, uma região reconhecidamente biodiversa localizada nas terras baixas da região amazônica, próxima ao sopé dos Andes. De acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2000, no estado do Acre havia 557.526 habitantes, sendo que 65% estavam na zona urbana e 35% na zona rural. A capital, Rio Branco, abrange 44% da população total do estado. Com uma economia baseada no setor primário, o Estado do Acre tem uma unidade produtiva predominantemente familiar, concentrada, sobretudo, nas atividades extrativistas (madeira, borracha e castanha) e agropecuárias (agricultura e pecuária).

O Acre é um dos Estados mais bem protegidos do Brasil, com 47,8% do seu território coberto por floresta com 17 Unidades de Conservação (UCs) e 35 Terras Indígenas. A estimativa da população indígena, em todas as terras demarcadas, é de cerca de dez mil pessoas, mas o conhecimento da biodiversidade dentro das Terras Indígenas do Acre ainda é bastante escasso.

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