quarta-feira, 23 de março de 2011

DESTAQUE AMAZÔNIA / MARÇO 2011


Publicação do Museu Goeldi apresenta trabalho da Rede Beija-Rio sobre as águas na região

A edição desse mês do informativo bimestral do Museu Paraense Emílio Goeldi traz pesquisas sobre desmatamento em rodovias federais, estudo de fungos que causam “ferrugem” em plantas e o monitoramento de águas amazônicas

Em tempos de intensa discussão sobre aquecimento global, conhecer o ciclo do carbono é necessário - já que a emissão desse gás é responsável pelo aumento das temperaturas no planeta. Quando se trata da Amazônia o assunto ganha ainda mais destaque, pois a floresta funciona como um grande absorvedouro de CO2. No entanto, não há conhecimento suficiente sobre a maneira como a maior bacia hidrográfica do mundo interfere nesse ciclo.

Este é o objeto de estudo de uma pesquisa desenvolvida pelo Museu Goeldi desde janeiro de 2006, que investiga os mecanismos que levam os rios da região a apresentarem um nível muito alto de CO2 e como isso interfere no ciclo do gás carbônico. O trabalho é coordenado pelos pesquisadores José Francisco Berredo e Maria Emília Sales, da Coordenação de Ciência da Terra e Ecologia do Museu, e se se concentra na Floresta Nacional de Caxiuanã, no centro-oeste do estado do Pará, a 400 km de Belém, onde a instituição mantém a Estação Científica Ferreira Penna (ECFPn).

Ao se ocupar do monitoramento de três pontos amostrais nos rios Curuá e Caxiuanã e na baía de Caxiuanã, a pesquisa busca contribuir para entendimento do ciclo do carbono global - um dos mais abundantes elementos químicos presentes na natureza - e, no futuro, pode apresentar subsídios para os estudos sobre as variações causadas nos rios amazônicos, tanto pelo aquecimento global, quanto por qualquer outra forma de modificação antrópica.

Floresta que some
Pesquisa sobre a conservação da biodiversidade em trechos das rodovias Transamazônica, Cuiabá-Santarém e PA-273 também está no informativo. Para analisar a realidade dessas estradas, o bolsista Cezar Augusto Borges, orientado pelo pesquisador da Coordenação de Ciências da Terra e Ecologia do Museu Goeldi, Leandro Valle Ferreira, desenvolveu o trabalho “A Conservação da Biodiversidade em Diferentes Tipos de Ordenamento Territorial, Uso e Ocupação nas Rodovias no Estado do Pará”.

O estudo constatou que o desflorestamento total na área de influência de 50 km de cada lado nas três estradas no Pará foi de 30,3%. Esse percentual é significativamente maior do que os 19,4% de desflorestamento acumulados para todo estado do Pará até 2008.

Ferrugens de plantas
Além disso, representantes de parte significativa da biodiversidade do planeta, os fungos precisam ser cada vez mais conhecidos. Matéria do Destaque Amazônia apresenta pesquisa desenvolvida por Fabiano Brito e Fernanda Mendonça sobre os fungos da ordem Pucciniales (Uredinales).

O grupo é causador de doenças em muitas culturas vegetais importantes – como o café, a soja, jambú, mandioca e o trigo - e são comumente denominados de “ferrugem”, devido à coloração apresentada em algumas plantas atacadas e que remete ao ferro oxidado.

A investigação, orientada pela Dra. Helen Sotão, tem como metas conhecer a riqueza, a composição e a especificidade das espécies de Pucciniales da Floresta Nacional (Flona) do Amapá, incluindo a grade de estudo do Programa de Biodiversidade da Amazônia (PPBio).

Produtos da BR-163
O Destaque de março traz ainda matéria sobre estudo que identificou os feirantes e os produtos florestais não madeireiros que são comercializados no Distrito Florestal Sustentável (DFS) da BR-163, além de apontar os pontos positivos para se manter a floresta em pé.

O estudo “Levantamento de produtos florestais não-madeireiros comercializados em mercados dos municípios localizados na BR-163, Pará”, desenvolvido pela bolsista de iniciação científica Nássia Carvalho e orientado por Márlia Coelho-Ferreira, buscou registrar os produtos florestais não-madeireiros das categorias alimentícia, artesanal e medicinal comercializados nos mercados, feiras e entrepostos do DFS, além de desenvolver o “perfil” dos feirantes que realizam esse comércio.

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