domingo, 1 de março de 2015

Conexão Saara - Amazônia

Fortes ventos trazem toneladas de poeira 
do Saara para a Amazônia, mostra Nasa
A transferência de poeira do deserto do Saara para a floresta Amazônica já era conhecida pela ciência, mas, pela primeira vez, cientistas conseguiram mensurar o volume de material transportado. Em novo vídeo divulgado pela NASA com dados coletados do satélite Calipso, nuvens densas de pó deixam o deserto e atravessam o oceano Atlântico até chegar à floresta amazônica.

Segundo a agência espacial americana são 182 milhões de toneladas de poeira a cada ano, o suficiente para abastecer 690 mil caminhões. Parte dessa poeira, 27 milhões de toneladas, recai sobre a bacia amazônica.

Lançado em 2006, o Calipso tem como objetivo estudar nuvens e o impacto de emissões aerosol no clima do planeta. Os instrumentos a bordo do satélite enviam pulsos de luz que analisam partículas na atmosfera e recebe os resultados, distinguindo a poeira de outras partículas de acordo com propriedades óticas.

É a primeira vez que a NASA quantifica em três dimensões o quanto de pó é “transportado” nessa viagem. O vídeo é resultado da condensação dos dados coletados de 2007 a 2013.

"Sabemos que a poeira é muito importante em muitos aspectos. É um componente essencial do sistema da Terra. A poeira vai afetar o clima e, ao mesmo tempo, as mudanças climáticas afetarão a poeira", disse Hongbin Yu, cientista atmosférico da Universidade de Maryland, que trabalha no Goddard Space Flight Center da Nasa em Greenbelt, em Maryland, EUA.

— É um mundo pequeno — disse Yu. — E todos nós estamos conectados.
Entender essa viagem transcontinental, segundo cientistas, é importante uma vez que esta areia também transporta fósforo, um nutriente rico para plantas. Considerando que a região tropical brasileira não é naturalmente abundante em fósforo, a areia do Saara poderia ser essencial para a diversidade e manutenção da floresta.

Yu e sua equipe focaram no transporte de poeira entre a África e as Américas por ele ser o maior do mundo. O espaço de sete anos de dados coletados, apesar de curto para análises de longo prazo, é muito importante para o entendimento de como a poeira e outros aerossóis são transportados pelo planeta, opina Chip Trepte, cientista do programa Calipso, mas que não participou da pesquisa.

— Nós precisamos de dados históricos para entender um padrão consistente de transporte de aerossóis — disse Trepte.

Apesar dos poucos anos de estudo, foi possível perceber uma variação de 86% no volume máximo transportado, em 2007, em relação ao menor volume, em 2011. Ainda é cedo para apontar as causas, mas os pesquisadores encontraram uma correlação com a intensidade das chuvas no Sahel, na região sul do deserto. Quando as chuvas aumentam, o transporte no ano seguinte é menor.

Veja a viagem que a poeira do Saara faz até depositar seus nutrientes na floresta amazônica, recriada pela NASA em um vídeo 3D:












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